Tuesday, September 13, 2005

Fomos Adotados!


OLÁ A TODOS,
UMA ÓTIMA NOTÍCIA, O NOSSO BLOG MUDOU DE ENDEREÇO, ESTAMOS AGORA NO SITE CINEMA EM CENA.
O CINEMA EM CENA É, HOJE, O PRINCIPAL SITE DE CINEMA DA AMÉRICA LATINA, COM MAIS DE 2 MILHÕES VISITANTES ÚNICOS/MÊS. ELES ESTÃO APOIANDO O CIDADE BAIXA ATRAVÉS DA HOSPEDAGEM DO BLOG E DA DIVULGAÇÃO DO MESMO EM NO SITE.
O VISUAL FOI MANTIDO, OS POSTS ANTERIORES ESTÃO TODOS LÁ E A GALERA CONTINUA A MESMA. ESPERAMOS A SUA VISITA.
JÁ TEM UM POST NOVO TE ESPERANDO:
http://www.cinemaemcena.com.br/cidadebaixa/blog.asp

Sunday, September 11, 2005

Luanda


Acabo de chegar de Luanda, Angola, onde o Cidade Baixa teve a sua segunda exibição pública. O curioso é que o filme passou pela primeira vez na Salle Bazin em Cannes (considerada uma dos melhores salas de projeção do mundo) e depois foi visto numa sala improvisada, equipada com um projetor de video amador remendado e um som pra lá de precário.
Fiquei apenas três dias lá, mas foi o bastante para ficar impressionado com o quanto a gente deve aos Angolanos a maior parte traços mais característicos do que a gente pode chamar de jeito baiano.
Logo no primeiro dia fui almoçar numa praia nos arredores da cidade e me senti em Itaparica... meninos negros dando cambalhota na praia, mulheres bundudas de fio dental, as embarcações, a cor do mar, o cheiro de dendê e urina. Angola é a Bahia ao quadrado: na gentileza das pessoas, no charme das mulheres, no hábito de falar se tocando, na bagunça, na improvisação, no colorido das roupas, no barulho, no jeito de dançar. Fiquei muito pouco tempo, mas saí com a certeza de que nós baianos somos mais angolanos que yorubás ou portugueses.
A exibição do filme foi bem bacana dentro daquilo que era possível. Os Angolanos e brasileiros da colônia resistiram até o fim, lutando para decifrar os diálogos que saiam das caixas de som surradas e ainda ficaram para um debate comigo, Juca Ferreira (secretário do Ministério da Cultura) e com a cineasta angolana Maria João, que me pareceu ser interessantíssima.

Sérgio

Saturday, September 10, 2005

Eventos em Setembro


Oi pessoal,
Esse mês vão rolar algumas exibições do making of em Salvador.
E a primeira exibição pública no festival do Rio!
Confiram as datas já confirmadas.
Tem muito mais pela frente. Assim que formos confirmando avisamos a vocês aqui.

20/setembro - Exibição do making of e debate com Sergio na sala Walter da Silveira. Salvador-BA, 20:00h

21/setembro - Exibição do making of e debate com Sergio na UCSAL (Universidade Católica de Salvador). Salvador-BA, 19:00h

22/setembro - Exibição do making of e debate com Sergio na FTC (Faculdade de Tecnologia e Ciências), Salvador-BA 10:00h

27 de setembro – Exibição do filme no Festival do Rio às 21h45, no Cinema Odeon BR, precedido do curta-metragem "Desejo", de Anne Pinheiro Guimarães. Rio de Janeiro-RJ

Foto: Lázaro. Wagner, Alice, Sérgio e o Ministro Gil no Festival de Cannes.

Wednesday, September 07, 2005

Conseqüência do desejo


Nesta edição do Festival de Cannes se falava muito que vários filmes desta safra tratavam de sexo de uma forma mais ou menos direta.
Achei curiosa a forma como as cenas de sexo do Cidade Baixa, chamaram a atenção dos jornalistas e críticos que me entrevistaram. Alguns falaram destas cenas com entusiasmo. Uma jornalista americana me perguntou se eu não achava que o meu filme era imoral. A revista Variety escreveu que o figurino de Alice cabia numa caixa de maquiagem. Quase todo mundo tocou no assunto... isto me surpreendeu.
Quando estava trabalhando no roteiro com Karim ele defendia a idéia de que a gente deveria povoar nossa narrativa de sexo, para ele esta era uma forma de ser fiel ao universo que a gente estava retratando. Eu dizia que só colocaria os personagens trepando quando o sexo fosse conseqüência do desejo deles e não do nosso desejo.
Acho que no final as duas coisas acabaram rolando, o filme tem cenas de sexo e é fiel ao universo da Cidade Baixa, mas essas cenas são sempre fruto de uma vontade dos três personagens. Eu não pretendi fazer um filme para chocar ninguém. Nem gosto da idéia de que isto vire um eixo central de discussão do filme.
Cidade Baixa se passa em um universo em que as pessoas não vivem “discutindo as relações”, elas trepam quando têm desejo e saem na porrada quando vêem que seu desejo foi contrariado.
Não foi difícil filmar as cenas de sexo. Eu tentei filmá-las como filmaria qualquer outro tipo de cena, buscando nos atores a idéia de onde a câmera deveria estar posicionada.
Acho que tudo foi simples porque rolou uma boa preparação com a Fátima Toledo, ela desenvolveu exercícios para despertar o desejo nos atores e trabalhou bastante para que eles se tornassem íntimos e cúmplices.
Outra coisa que tornou tudo mais tranqüilo foi o fato de que havia confiança entre nós. Desde o inicio eu deixei claro o que eu queria, mas também falei que se eles não ficassem satisfeitos com alguma cena eu não teria problema em cortar.
A coisa acabou rolando de uma forma tão natural, que durante uma cena de sexo entre Lázaro e Alice quando eu fiquei em dúvida sobre o quão direta e explicita deveria ser esta cena. Foi justamente Alice que insistiu para que ela fosse filmada como a gente havia planejado. Ela me disse: “Você filma, e se achar que não ficou bom não coloca no filme”. Toca Seabra, o fotografo também insistiu, felizmente acabei filmando, a cena está montada e é uma das mais bonitas do filme.
Em momento algum nenhum dos três atores demonstrou estar preocupado com o seu grau de exposição. Isso sempre foi uma preocupação mais minha do que deles.
Pouco se fala da ausência de sexo nos filmes brasileiros na retomada. Parece claro que isto está relacionado a um desejo de se afastar de qualquer associação com a produção dos anos 70 / 80 e da pornochanchada. O problema é que deixando de lado o sexo a gente acaba se afastando um pouco da realidade Brasileira e do seu povo. O Brasil felizmente ainda é um país sensual e tesudo. Espero que o cinema brasileiro esteja legitimado o suficiente pra a gente poder falar sem encanação de qualquer assunto, inclusive de sexo.

Sérgio

Tuesday, September 06, 2005

Cidade Baixa no orkut


Ganhamos uma comunidade no orkut.

A Preparação


Eu me preparo de um modo completamente obsessivo. No Cidade Baixa eu tentei pensar em imagens antes de palavras, fiz colagens e desenhos antes de escrever a primeira linha do roteiro. Durante dois anos fui acumulando informações, tudo que eu encontrava que tinha relação com o filme eu fotografava ou scaneava e anexava ao roteiro, pinturas, cores, fotografias, desenhos meus.
Também fui fazendo notas a respeito de tudo o que eu pensava e discutia sobre cada cena, como deveria ser a imagem, a interpretação dos atores, as armadilhas que se escondiam por trás de cada cena. Nas vésperas da filmagem eu imprimi um livrão de quase quatrocentas páginas com tudo que eu pensei sobre o filme durante dois anos. Era um arquivo enorme com centenas de imagens que, de tão pesado, travava sempre o meu computador.
Fiquei também dois meses freqüentando barzinhos e casas de strip-tease de Salvador. O roteiro do filme é um apanhado dessas histórias que vi, que ouvi, de coisas que senti nesse período.
Quando João Moreira e Karim foram me visitar na semana que antecedeu às filmagens. Eles ficaram impressionados com o grau de preparação do filme e me disseram que o maior risco que eu corria era justamente o de estar preparado demais. Eles temiam que eu ficasse engessado, preso a tudo o que estava escrito naquele calhamaço.
Foi essa preparação, paradoxalmente, que me deu liberdade, não consultei muito o livrão durante as filmagens, mas ter feito ele foi um trabalho tão grande que me fez pensar sobre todos os diversos aspectos do filme de um modo muito claro e detalhado.
Por sugestão da Fátima Toledo, preparadora de atores do Cidade Baixa, os atores não leram o roteiro antes das filmagens. Os diálogos foram sendo recriados, no calor do momento, acho que isso trouxe frescor e organicidade.
O Cidade Baixa foi filmado deixando espaços para serem preenchidos pelos atores, pela equipe, pela cidade, pelos acasos. Fomos incorporando coisas que rolaram durante as filmagens e acho que isso só foi completamente possível porque estava claro desde o início onde é que nós gostaríamos de chegar.

Sunday, September 04, 2005

Cinema e Música


Agora você já pode ouvir três faixas da trilha sonora do Cidade Baixa aqui no blog. Vamos estar sempre colocando novos clipes de áudio e (em breve) vídeo por aqui. Apareça.

Sobre a trilha:

Em sua primeira trilha sonora para o cinema, Brown criou músicas a partir do conceito de “Bahia do mundo”, em que o sofisticado e o popular, o tradicional e o contemporâneo se misturam.

O método de trabalho foi colocar o filme para rodar no computador e improvisar em cima das imagens, que já são muito musicais. O resultado foi uma espécie de afro-jazz. Usei instrumentos de percussão que eu mesmo inventei, piano, violão e também instrumentos africanos sagrados. O que foi muito apropriado, porque esse é um momento sagrado para o cinema baiano. (Carlinhos Brown)

A trilha é assinada também pelo músico e produtor Beto Vilares (Abril Despedaçado), que foi fundamental para dar um formato definitivo ao extenso material produzido por Brown. Ele reprocessou os sons, criou outros novos e ajustou-os às cenas.

Nossa maior preocupação foi não reiterar com a música o que a imagem já estava dizendo. A trilha funciona por contrastes, com sonoridades suaves em momentos de tensão, e assim por diante. A música tem muito mais a ver com a subjetividade dos personagens do que com a ação em si. (Beto Vilares)

Sobre Carlinhos:

Durante a gravação da trilha confirmei a boa impressão que tinha de Carlinhos enquanto músico e compositor e acabei ainda me surpreendendo positivamente com a sua capacidade de entendimento do processo cinematográfico. Quando trabalhamos com músicos que não são exatamente especialistas em trilha sonora, é muito comum (e até esperado) que eles pensem na música como uma entidade independente. Carlinhos parece intuir de uma forma bem clara que em cinema o que importa não é a música ou a imagem, mas uma terceira coisa que é formada a partir desta junção. Ele sabe que nem sempre a melhor música é aquela que vai levar o filme para onde ele realmente precisa ir.
As gravações acabaram fluindo com uma facilidade que me foi surpreendente. Acho que, em parte, isto se deve a uma coisa que ele me confessou outro dia, depois das gravações. Ele me disse que antes de começar a fazer música ele tinha vontade de fazer cinema. Esse desejo me pareceu ter uma relação interessante com o modo como ele cria, a sua preocupação com a misencene, com o figurino, a sua invenção e reinvenção de personagens. Acho que cinema tem muito a ver com a personalidade inquieta e com o poder criativo de Carlinhos Brown. Talvez a gente tenha perdido para música um belo cineasta. (Sérgio Machado)

Saturday, September 03, 2005

Convite à interatividade


Os filmes que mais me interessam são aqueles que deixam lacunas e convidam o espectador completar o sentido com sua subjetividade. Esses filmes nascem a partir de uma parceria entre os criadores, a obra em si e quem a assiste.
Tenho perdido cada vez mais a vontade de ver filmes que são fáceis de entender, mas que não permanecem na cabeça mais do que o tempo que se leva para cruzar o corredor que separa a sala de cinema do shopping center.
Esse convite à interatividade que está na raiz dos bons filmes é algo natural da NET. Fiquei pensando a respeito deste espaço, que eu gostaria de transformar num lugar vivo
de discussão de cinema.
Um blog é um organismo mutante, uma coisa amorfa, uma obra aberta pela própria natureza. Só existe a partir do momento em que as pessoas o acessam e o modificam.
Esta interatividade me interessa muito no cinema e na vida.

Sérgio Machado